Natureza

A Terceira Ordem Secular ou ordem laical do Instituto do Verbo Encarnado é “uma associação de fiéis leigos, cujos membros vivendo no mundo, desejam participar do espírito do Instituto para procurar de modo mais seguro e eficaz a própria perfeição cristã em todo o amplo campo da vocação laical sob a alta direção do mesmo Instituto e para realizar a santificação de todos os homens mediante as obras de apostolado” .

Por isso quer se comprometer a formar com os membros do Instituto do Verbo Encarnado e das Servidoras do Senhor e da Virgem de Matará uma única família, unidos pela mesma fé, os mesmos fins, a mesma missão, o mesmo carisma, a mesma índole e o mesmo espírito. É parte essencial e constitutiva da família religiosa do Instituto, da qual este não pode prescindir, enquanto que é a prolongação da atividade da Instituição nos âmbitos próprios da vida laical. A terceira ordem admite diversos graus de pertença, que incluem, em seu nível mais alto, a consagração laical por meio de votos.

Membros da Terceira Ordem

Membros da Terceira Ordem

Dupla finalidade da Terceira Ordem

A Terceira Ordem do Verbo Encarnado persegue o mesmo fim do Instituto, que é duplo: por um lado busca a maior gloria de Deus e a salvação das almas, tratando de santificar a seus membros e santificar a partir da própria condição laical o mundo inteiro.

Por outro lado, como terciários da família do Verbo Encarnado, a Terceira Ordem Secular compromete todas suas forças para inculturar o Evangelho, quer dizer para prolongar a Encarnação em todo homem, em todo o homem e em todas as manifestações do homem, de modo particular mostrando que a Igreja “tem uma autêntica dimensão secular, inerente a sua íntima natureza e a sua missão, que funda sua raiz no mistério do Verbo Encarnado e se realiza de formas diversas em todos seus membros”[1]. Para isto busca ordenar os assuntos temporais segundo Deus[2], instaurando todas as coisas em Jesus Cristo[3], manifestando a Cristo diante dos outros, primordialmente por meio do testemunho da vida, da irradiação da fé, da esperança e da caridade, iluminando as realidades temporais junto às quais está estreitamente vinculada, de modo tal que sem cessar se realize e progrida conforme Cristo e seja para a glória do Criador e do Redentor[4].

Espiritualidade

Por isso a Terceira Ordem Secular deseja imitar profundamente, no âmbito que lhe é próprio ao Verbo Encarnado que “quis participar da convivência humana… santificou os vínculos humanos, em primeiro lugar os familiares, onde têm sua origem as relações sociais, submetendo-se voluntariamente às leis de sua pátria, quis levar a vida de um trabalhador de seu tempo e de sua região”[5]. Já que “ao escolher a vida comum dos homens, o Filho de Deus conferiu a essa vida um novo valor, elevando-a as alturas da vida divina… o Evangelho nos testemunha que o Filho eterno se identificou plenamente com nossa condição, vivendo no mundo sua própria consagração. A vida integralmente humana de Jesus no mundo é o modelo que inspira a vida de todos os batizados[6]. Assim os terciários procuram imitar a Cristo com a convicção de que “os leigos podem levar a cabo em sua vida a conformação ao mistério da Encarnação, precisamente mediante o caráter secular de seu estado”[7].

Terceira Ordem - Verbo Encarnado

Terceira Ordem – Verbo Encarnado

Apostolado

E para a concreta e eficaz realização destes fins a terceira ordem se dedica às obras de apostolado, como parte essencial de sua missão, tendo como centro de ação próprio e particular os pontos de inflexão da cultura, dos extremos próprios da vida secular; as obras de misericórdia com os mais necessitados, o apostolado da oração, a catequese, as missões, a proclamação da verdade pelos meios de comunicação, a política, a docência; a ajuda aos sacerdotes e religiosos; a assistência social, sobretudo com os mais carentes; e o aproveitamento de tudo aquilo que possa licitamente ser utilizado para que Cristo reine em todos os estratos da vida individual, familiar e social. Sabendo que “os fiéis e mais precisamente os leigos, encontram-se na linha mais avançada da vida da Igreja; pois por eles a Igreja é o princípio vital da sociedade humana”[8].

Cada membro “deve ser diante do mundo uma testemunha da ressurreição e da vida do Senhor Jesus e um sinal do Deus vivo. Todos juntos e cada um por sua parte, devem alimentar ao mundo com frutos espirituais, e difundir nele, o espírito de que estão animados aqueles pobres, mansos e pacíficos a quem o Senhor no Evangelho proclamou bem-aventurados. Numa palavra, cada membro deve cumprir aquilo que diz que assim como a alma é ao corpo, assim tem que ser os cristãos no mundo”[9].

Fidelidade ao Espírito Santo e Devoção Mariana

Só na mais absoluta fidelidade ao Espírito Santo conseguiremos nossos fins. Sendo conscientes que nosso pobre esforço unicamente é fecundo e irresistível se estiver em comunicação com o vento de Pentecostes.

Para alcançar esta disposição de suma, total e irrestrita docilidade ao Espírito Santo, que é o Espírito de Cristo[10], a Terceira Ordem Secular do Verbo Encarnado necessita que a Santíssima Virgem seja o modelo, a guia, a forma de todos seus atos, pelo que, com todas as forças da alma e do coração, hoje e sempre, dizemos “Totus tuus”, Maria!


[1] Paulo VI, Discurso aos representantes de Institutos Seculares sacerdotais e laicais, Quarta 02 de Fevereiro de 1972.
[2] Cf. Concílio Vaticano II, Constitución Dogmática Lumen Gentium, 31.
[3] Ef 1,10.
[4] Ef 1,10.
[5] Christifideles Laici, 15.
[6] João Paulo II, Catequese da quarta, 10/11/1993, 5.
[7] João Paulo II, Catequese da quarta, 10/11/1993, 5.
[8] Pío XII, Discurso aos novos Cardeais, Acta Apostolicae Sedis, 38 (1946), 149.
[9] Carta a Diogneto, 6; Cf. Lumen Gentium, 38.
[10] Cf. Rom 8,9.