Peregrinação de seminaristas brasileiros ao Santuário Nacional de São José de Anchieta

Um grupo de cinco seminaristas e dois jovens realizaram nos dias 5 e 6 de janeiro os tradicionais “Passos de Anchieta”. Uma peregrinação de mais de 100 km entre as cidades de Vitória e Anchieta no estado do Espírito Santo. Esse caminho recorda o mesmo traçado por São José de Anchieta que enfrentava sol e mar caminhando pelo litoral capixaba tendo em vista somente a glória de Deus e a salvação das almas.

Faltam-nos motivos para não fazer essa peregrinação, já que Anchieta é o grande Apóstolo do Brasil, Co-padroeiro de nossa Província e Padroeiro de nosso Seminário. Além de ser um forte modelo de sacerdote missionário e evangelizador da cultura.

São José de Anchieta costumava percorrer o trecho de 100 quilômetros compreendidos entre Reritiba (atual Anchieta) e Vitória duas vezes por mês, o denominado “caminho das 14 léguas” na missão de cuidar do Colégio de São Tiago localizado em Vitória e que hoje é o atual Palácio do Governo, em um Brasil dos anos 1550, ou seja, no início de seu descobrimento.

Todos os anos organiza-se essa mesma peregrinação, feita em quatro dias. Nosso grupo, por falta de tempo, decidiu fazê-la em apenas dois. Se os dias foram menores não o foram as dificuldades pelo caminho, mas até aqui o Senhor nos ajudou (Cf. I Sm 7,12).

No primeiro dia de caminhada percorremos um trecho de 40 km partindo da Catedral de Vitória até ao balneário de Ponta da Fruta, em Vila Velha. Depois de quase três horas de caminhada chegávamos ao Santuário de Nossa Senhora da Penha, para a Santa Missa. Aqui também passou Anchieta que dizia “numa ermida de abóboda que se vê longe do mar e é grande refrigério e devoção dos navegantes, e quase todos vêm a ela em romaria cumprindo as promessas que fazem nas tormentas” (Carta de Anchieta dirigida ao Colégio de Coimbra, 1572). Essa foi ocasião para recordar também o Voto que fizera o santo, ainda criança, à Virgem Santíssima consagrado sua virgindade.

Em suas andanças pelo Brasil, Anchieta não só fazia incursões continente adentro, como também visitava as aldeias já evangelizadas, para que fossem confirmadas na fé. Sempre descalço, com sua batina surrada, um rosário no pescoço e um crucifixo na mão, o incansável apóstolo atravessava vastas porções de terra. A mescla de florestas e praias exuberantes não elimina o desgaste físico mas são constante refrigério para a alma que se eleva ao Criador.

O segundo dia foi mais intenso, sendo percorridos cerca de 60km desde as três da madrugada. Antes mesmo do sol nascente vir nos visitar caminhávamos a passos curtos e doloridos sobre asfalto, terra batida e areias do mar. Era já meio dia e parando para descansar perguntávamos se continuaríamos ou não, mas a cada ponto de parada lembrávamos: “Até aqui nos ajudou o Senhor”. E recuperávamos as forças. Seguimos um passo de cada vez. Se ao olhar o fim último desanimávamos pelo cansaço, olhando o próximo passo revestimo-nos de vigor e passo por passo alcançaríamos a meta. Marcantes foram também as conversas pelo caminho, brincadeiras e gargalhadas. Também os olhares admirados daqueles nos viam pelas ruas que por vezes pediam a benção e outras chamavam-nos de loucos.

Foi por volta das sete e meia da noite que avistamos ao longe o Santuário erguido sobre uma colina no final da praia. Foram os últimos passos e logo subíamos a ladeira final que dá acesso à Igreja e sobre o brado forte de “Ave, Ave, Ave Maria” finalmente chegávamos ao Santuário Nacional de São José de Anchieta. O padre Reitor do Santuário, César Augusto dos Santos, SJ nos esperava para celebrar a Santa Missa privada na cela onde São José de Anchieta faleceu, junto a relíquia do Santo, um pedaço do osso de sua tíbia, que se conserva com mais de 400 anos depois de sua morte.

Depois de uma vida gasta pelo Evangelho, São José de Anchieta morreu em Reritiba no Espírito Santo no dia 9 de junho de 1597, cidade que hoje tem o nome de Anchieta. Para nós, seminaristas capixabas, é uma experiência única andar por onde ele mesmo andou e seguir, literalmente, os “Passos de Anchieta” em nossa caminhada ao sacerdócio. E para os jovens que foram conosco, a confirmação de sua vocação. Ambos entraram no seminário.

Agradecemos a Maria Santíssima que esteve conosco por todo o caminho e a todas as famílias que cooperaram com a divina providência nessa aventura. Como ele mesmo dizia: “nada é árduo ao que tem fim somente a honra de Deus e a salvação das almas, pelas quais não duvidarão dar a vida”.

Sigamos firmes em Cristo por Maria!

São José de Anchieta, rogai por nós.

Seminaristas Leonardo Martins e Paulo Colombiano

1º ano de Teologia – Seminário Maior São José de Anchieta

Província Nossa Senhora Aparecida – Brasil